A captura da rua sem nome – #3: Zé

III- Zé

No tangolomango, entre os curiosos que conversam com os policiais e o homem algemado que espera a ambulância está o senhor José Carlos Franco Fernandez.

Seu Zé, como é chamado pelos íntimos, é o dono da casa que fora invadida mais cedo.

Zé sente-se redimido com a surra que o criminoso recebeu de seus filhos, faz tempo que ele não se sente seguro.

Seu Zé tem 64 anos e é coronel aposentado da Brigada Militar. Ele sempre cumpriu seus compromissos e deveres com eficácia e eficiência. Durante os últimos dias, ele vinha se sentido inseguro, como se sua casa estivesse sendo observada.
No meio da tarde do dia anterior seu Zé liga para seu filho que trabalha como barbeiro no centro da cidade. Desconfiado e temendo o pior, ele o convida dormir na sua casa. Continuar lendo

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Notas I

Justiça, verborragia e senso comum – O homem que dizia muito e não falava nada – Tornando-se superficial em algumas palavras

Sensus commom

Tenho pensado um pouco sobre esses temas, o senso comum é algo que tem um poder grandioso no dia a dia das pessoas, os haters como fenômeno social estão aí para provar que, efetivamente, a máscara do anonimato encobre bem a face envergonhada das pessoas que precisam dos seus minutos de ódio diário para conviverem normalmente na sociedade. Não me lembro bem onde, mas recentemente li uma frase que foi atribuída a Nietzsche que soava algo como isso: Continuar lendo

Cenários, prisões e comidas

Cenários são são também minhas prisões psíquicas, são também as projeções na parede da minha caverna.

Cenários são coisas que não amo, mas àquelas que embriagam-me, com seus contornos, propícios para o espetáculo.

O capitalismo por si só, talvez seja o conceito que represente hoje o maior cenário. Ou que absorve os diversos palcos. Os entendidos e os especialistas que não me levem à mal, mas que belo cenário para a construção de narrativas épicas. Que ótimo lugar para os loucos transfigurarem as mais intensas tragédias e epopeias. Que gênio aquele que disse que empreender muda o mundo, oque raramente faz-se para todos porém, é o espetáculo que mais intensamente eleva a vida humana, a transfiguração da busca da própria virtude.

Pobres enlouquecem com a sorte de enriquecer

Choram com o azar de perdê-la

Ricos destroem sua condição, seus egos os consomem

Passam fome

E com a mesma sorte que agora falta ao pobre, talvez volte a sua condição

Winston Churchill disse que certa vez,tradução minha:

O vicio hereditário do capitalismo é a divisão desigual das bençãos; A virtude hereditária do socialismo é a divisão igualitária das misérias.

Errou.

As projeções que observamos hoje, entregam à toda sorte de individuo, a possibilidade de enlouquecer sobre seu próprio império e seus fardos. Essas, por suas vez, não são totalmente nossas, mas assim pensamos em geral.

Temos  a possibilidade de destruir à nossa própria maneira, no grau que nos é conveniente, nossos próprios esconderijos. As indústrias nada mais fazem além nos prover os mais variados motivos para tanto, somos pobres, burros, chatos, estranhos, tristes e normais demais. Não somos especiais, e por não sermos, nos resta enlouquecer e nesse mundo, onde tudo é econômico, recriar as mais intensas e trágicas narrativas para reencontrar-nos com a próxima mentira, com aquela em quando chegar, fará com que tudo seja diferente.

Que vocês não venham me enlouquecer adjetivando-me levianamente de salgados ou até mesmo de miojo, pois desses dois estou farto. Adoro-os, e os comerei tanto quanto for possível, sem jamais me tornar nenhum deles. Sou ao fim humano e assim morrerei, independentemente do que comi, ideologia para mim, não tem espinhas e posso devora-las sem me engasgar com elas.

Não é minha culpa, tampouco minha responsabilidade, redescobrir ou reorganizar o teatro da vida e os diversos atos da existência. Cabe a mim, apenas o papel de fazer parte do espetáculo, vivê-lo, assisti-lo como o malogrado e infeliz participante que, assim como todos vocês sou. Não fui eu que disse que agora, depois de elevar-nos por virtude na Grécia antiga, por Deus na idade média e por liberdade no Renascimento, deveríamos viver, criar e morrer pelo dinheiro que compra as melhores câmeras para retratar o cinismo de nossa “felicidade”, onde cada segundo sorrindo nos custa, dias suando.

Não me entendam mal, não sou rancoroso, nem mesmo contra nada disso, apenas gosto de observar a tragédia através do componente lírico e poético. Mas admito que adoraria ser apenas o observador desse grande espetáculo. Nunca fui daqueles de valorizar as coisas pela dor que necessito para te-las, só não sou daqueles que ama a própria servidão.Não quero acabar enforcado dentro do farol por não suportar a loucura do mundo, apenas sonho com o prazer de vê-la da poltrona do teatro.

Se pudesse conhecer as outras projeções que habitam as paredes das cavernas de universos paralelos, o faria, pois assim escolheria aquela que mais me poupasse e que me oferecesse o melhor dos espetáculos.

Já diria Bulgakov que um tijolo não cai na cabeça por acaso. Não por isso, preciso implorar para que me acertem logo, posso viver com a expectativa da chegada de minha vez.

Câmbio e desligo.

 

Sobre a pressão dos fluidos

Talvez seja o inverno, talvez o próprio inferno

Talvez seja tudo uma grande brincadeira, talvez não

Talvez eu apenas esteja louco?

Talvez são.

Talvez toda a pressão, toda a dor, toda a ansiedade façam eu deixar as linhas escorrerem entre as palavras que deveriam se encontrar coesas nesse pequeno parágrafo.

Talvez as a pressão dos fluidos internos faça com que os líquidos escorram para fora de mim como uma forma de alívio ou de desabafo,

talvez…

Só talvez isso tudo seja uma maneira não de me fazer chorar, mas de me fazer sentir

Provar o gosto das azedas cinzas do inferno

Para que o lacrimejar do tolo faça com que os líquidos fluam dentro de si, para fora

E o aqueçam nesse rigoroso inverno.