Sobre a transformação dos liquidos

Sou um homem infeliz, não tenho mais nada no que me apoiar. Estou só e desamparado. Minhas perspectivas me assombram e não tenho vontade de viver em qualquer uma das hipóteses que se desvelam em meu futuro. Não me sinto doente, não estou, tampouco sou, apenas não tolero oque está por vir, sou infeliz pelo meu futuro. Não tenho muitas reclamações do passado e sofro pouco no presente. Quero simplesmente algo que não seja aquilo que se desvela bem diante dos meus olhos, esse futuro nojento, triste e provido de um substancial desconforto.

Prefiro o silencio ao que vem pela frente…

Gosto do meu conforto, não tenho muito mas tenho o suficiente. Gostaria de ter mais? Sim. Me frustraria se me mantivesse como estou? Talvez…Nem tanto para falar a verdade.

É pedir demais que as coisas fiquem como estão? Tenho poucas coisas incomuns às outras pessoas e não me sinto mal com isso, sinto me mal em ter que perde-las. Desejo desesperadamente manter oque tenho – não por materialismo ou preciosismo – para manter-me como sou. Não minto. Sou aquilo que o meu contexto me permite, e mudarei se esse mudar. Gosto demais de mim nesse momento para não pensar em como me preservar. Sempre pude buscar elevação, meu horizonte sempre foram as ideias e o pensamento, e quero que continuem sendo assim. Infelizmente estou no limiar de uma mudança de paradigma que pode me mandar para o outro extremo da pirâmide de Maslow e isso significa que precisarei me animalizar, me embrutecer, meus horizontes mudam e com ele mudam também meus objetivos. O mundo revela-se, por trás de aparência sólida emerge sua natureza liquida, alterado pelas conjecturas e decisões que tomamos e às quais somos submetidos. Infelizmente, nem sempre somos senhores de nossos contexto. Muitas vezes nos entregamos (ou estamos entregues) à obra de pessoas das quais dependemos, não temos poder de agencia sobre nossas realidades, e nesses contexto, justamente nesse contexto, nos tornamos as vitimas de nossa própria desídia, de nossa indolência.

Me questiono muito nos últimos dias, me questiono sobre várias coisas ao mesmo tempo e de todos os questionamentos que tenho levantado na minha mente o que mais destoa e atraí é, “porquê seguir vivendo?”, “porquê seguir tentando?”.

Bom, inicialmente não consegui chegar a uma resposta que exprimisse exatamente o porque estou seguindo em frente, ao invés disso, gastei os últimos dias em idealizações de respostas para tal pergunta. Viver para alterar meu futuro e tomá-lo para mim, viver para aprender com o sofrimento que o futuro me imporá, até mesmo viver por aqueles que precisam de mim. Infelizmente, essas respostas não condizem com a realidade, condizem com meus sonhos e jamais foram a força motriz da minha existência, só ontem eu consegui acertar a trilha para a resposta correta e ela é (além de melosamente poética) crua e de perspectivas negativas. Vivo hoje pois acredito no mais intimo que vou achar uma perspectiva melhor, conforme tudo continue desmoronando a minha volta, não deixei de existir por causa de ter perdido amigos, namorada, tempo livre e estar comendo menos, estou mais magro, talvez mais melancólico e quieto, mas tenho dentro de mim de que as coisas podem se acertar no meio do caminho. Creio que sou perspicaz o bastante para conseguir identificar quando essas oportunidades aparecerem. Acredito que dois e dois sempre são quatro, mas vivo para ver essa conta fechar no cinco, tudo o que tenho é o tempo de ver os resultados acontecerem e escolher a melhor maneira de aceitar isso, e é isso que irei fazer, persistir.

Tenho ciência das decisões que tomo. Sob qualquer ponto de vista pareço um covarde. Sou comodista. Escolhi o caminho mais difícil de tolerar, mas o mais fácil de seguir. Tenho noção da contradição que represento, sou o homem que quer o silencio, não sou idealista, não corro atrás do silencio, tenho medo das medidas que tenho que tomar, porém, escolho viver plenamente aquilo que estar por vir, ao menos preciso viver aquilo que considero intolerável para saber se realmente não tolero, não posso me dar ao luxo de decidir sobre coisas tão importantes com as perspectivas que tenho hoje, vou levando. Vou seguir até atingir um momento onde esteja suficientemente seguro e inspirado para tomar alguma decisão, até lá, vou estar atento a qualquer hipótese. Só espero que o momento chegue e que eu não morra de tanto esperar…

 

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