Caveiras e diplomas

Ser feliz, alegre e celebrar as vitórias pessoais. Celebrar as conquistas de outros mil que, assim como eu, passaram pelo mesmo trauma e pela mesma provação da qual eu acabei de me livrar. Comemorar, sim. Libertar o meu eu das amarras impostas pelas tarefas e pela excruciante rotina de quem busca muito algo. Deveria eu comemorar?

Do que vale um carro novo? Do que vale uma casa maior ou um diploma universitário?

Deveria eu ser feliz pelas conquistas e por isso comemorar? Ou talvez eu devesse simplesmente purgar as dores e angústias que a perseguição de objetivos me trazem?

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Sobre Gerações

Talvez seja esse o tópico do dia, gerações.
Eu sempre tenho a impressão que muito do que fazemos no inicio da fase adulta não passa de lutar pelo puro prazer de “porque sim”.
Me vem a cabeça que talvez toda essa problematização seja fruto de mais um ciclo da história onde os jovens não tem mais paciência de esperar que os mais velhos passem o bastão apropriadamente para mudarem o mundo, gritamos, brigamos e queremos que todos os velhos que até agora escreveram as regras usem a própria caneta para moldar o fim de suas vidas como o inicio das nossas. Continuar lendo

Intelectual, mas idiota

Por Nassim Nicholas Taleb, traduzido por Gabriel Segundo

16 de setembro de 2016[A]

Introdução

Texto publicado por Nassim Nicholas Taleb em seu blog na no Medium. Original disponível em inglês em The Intellectual Yet Idiot. Tradução publicada em IIindex por Gabriel Segundo em 21 de fevereiro de 2017. A reprodução desse conteúdo é livre para todos os meios menos o Huffington Post (em todas as línguas), assim como o original em inglês, desde que cite a fonte do original.


Oque viemos acompanhando pelo mundo todo, da India até a Inglaterra passando pelos EUA, é uma revolta contra o núcleo dos fora-do-jogo, funcionários legisladores (fazedores de política) e jornalistas insiders, aquela classe paternalista de experts semi-intelectuais advindo de universidades de prestigio [B] ou qualquer outro tipo de educação voltada para o nome da instituição que estão dizendo para o resto de nós 1) o que fazer, 2) o que comer, 3) como falar, 4) como pensar… e 5) em quem votar. Continuar lendo

Bençãos?

Bênçãos, dádivas, milagres, concessões divinas ou mesmo superiores. Resultados, recebidos por um suposto merecimento, correto?

Mesmo que sejam e existam, não seriam as bençãos simplesmente um pedido de desculpas?

Desculpas.

Pela dor, pela angústia, pela agonia que enfrentamos, pelas perdas, pelas lágrimas que derramamos em nome do convencimento de que teremos alguma recompensa. E no fim, no apagar das luzes, no selar do caixão, no retornar à rotina, há aqueles que acreditam piamente que até os menos afortunados, os miseráveis, os infelizes, os acometidos pelas dores de uma existência que, fora da nossa percepção, da nossa gaiola dourada, não nutre nenhum tipo de senso de justiça, terão a redenção prometida pelos belos contos dos homens de boa índole.

Pergunto mais uma vez,

Bênçãos? Para quem? Continuar lendo

Talvez eu não devesse desistir de tirar fotos

Olá, bem-vindos (alguém por aí? hey?) a mais uma tentativa.

Não tenho boa memória. Nunca tive. Ainda mais chegando a vida adulta. Comecei a torrar entre outras coisas os neurônios que tenho e piorar ainda mais a minha memória. A vida adulta tem dessas coisas, nos joga numa rotina que nos absorve e nos torna vitimas dela. Diariamente somos atropelados pela avalanche de tarefas, problemas e dilemas que nos lacram em uma gaiola “dourada”, onde quase não sentimos o tempo passar até que começamos a perder as coisas que nos são mais caras.

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Pesquisa e bibliografia

Não, você errou se apostou que eu sou algum tipo de boçal ou mesmo alguém que tem algum tipo de relação maior do que um hobbismo platônico com a literatura. Sou eu na verdade apenas um homem graduado em administração (há poucos dias!) que tem como hobby pensar de maneira extremamente prolixa. Tenho portanto outras atribuições e também outros interesses que transcendem a própria literatura. Não gosto da ideia de ser uma pessoa monocórdica, especialmente em termos intelectuais, portanto, mantenho interesses distintos e nos quais empenho igual ou maior esforço do que nas vagas palavras que habitam as profundezas desse blog desconhecido.

E partido dessa ideia de não ser monocórdico, penso que talvez seja um bom momento para linkar aqui todo o conteúdo que produzo, como um hub digital para a minha produção. Não estranhem portanto verem por aqui algo relacionado a produção científica e música por aqui. Apesar de não ter tempo de ajustar o template do site para torna-lo algo como deveria parecer um hub pessoal de conteúdo, vou faze-lo.

Para esse primeiro passo portanto, vou iniciar apresentando um pouco da pesquisa científica que tenho feito.

Tenho pesquisado há uns dois anos sobre bitcoin e tecnologias relacionadas a dinheiro virtual e, mais recentemente, sobre a tecnologia que dá vida a toda essa rede: O Blockchain.

Portanto, nada melhor do que começar disponibilizando o pouco que tenho produzido em uma pequena série de posts e apresentar um pouco do meu pensamento acerca do desenvolvimento da tecnologia e como observo as aplicações relacionadas a essas tecnologias que vem surgindo. Talvez inicie uma série explicando do que tratam essas tecnologias, uma vez que o conteúdo em português, ainda escasso, está todo concentrado em meios acadêmicos ou em publicações que tem vieses claros e, que pelo bem da moderação e do pensamento crítico, precisam ser moderadas por visões com maiores pitadas de realismo ou de ceticismo.

Tenho por enquanto, cerca de 200 páginas de material produzido sobre esses temas e pretendo achar uma maneira de disponibilizar esse nesse meio, seja sumarizando-o em posts e/ou disponibilizando-os.

E para aqueles que podem pensar que esses são meus dois unicos interesses, talvez, eu disponibilize algo relativo a música e algo relativo à o que tenho lido (reviews? Descubra!).

Por enquanto é isso

Off we go!

O caminhar do tempo: prólogo

Ao acordar o mundo parecia branco. Saíra de seu casulo de idiossincrasias e devaneios negros, de suas aspirações marrons e outros tantos tons de sépia, aos quais nomeia seus sonhos e pesadelos que agora dão lugar ao clarão do dia em curso. Agora sente a brancura e a pujança da vida e o dissonante peso nas pálpebras, que se esforçam para não entregá-lo novamente ao seu confortável intimo. Tinha de acorda, precisava.

Seu corpo pesava e sua cabeça doía, o almoço aliviara a pressão que exercida em sua barriga uma hora atrás, agora tudo o que há é a labuta, seu trabalho, independentemente de o quão mal se sentisse ou de o quanto quisesse.

Não que fosse ruim no que fazia, mas tinha a necessidade de ir além, ele e aqueles a quem mais desejava agradar jamais aceitariam menos do que a soma da mais intensa abnegação, com três quartos de estoicismo. Não gostava do que fazia e fazia porque achava que devia. Não se importava com o que produzia, aquilo tudo não passava de um meio para atingir os objetivos que outros lhe traçaram. Considerava-se um utilitarista, niilista por natureza, achava-se sobretudo, dotado de capacidades comuns; acreditava piamente que seus méritos derivavam da incompetência dos demais, mais do que de sua própria virtude, via-se como um B+ em um mundo cheio de Delta menos, afinal, “aos olhos de um Shudra qualquer Kshatriya (xátria) parece um Brâmane“, dizia.

Como todo homem, carregava consigo diversas dicotomias. Levava uma vida austera e com pouco tempo livre. Durante a semana gastava-o com sua rotina e com seus livros. Era um poço de contradição, amava seu Nietzsche e queria ser Übermensch. Sabia que seria o certo sê-lo. Amava London e seus contos de força, tanto quanto cerrara os dentes ao ler o fim de seu querido Martin. Era apegado demais ao propósito das trajetórias e aos seus significados, inspirava-se com a força de personagens e figuras que se elevavam e que saiam da suas ignomínias, para transformarem-se nos monolitos que sustentam a era moderna e dão força aos mortais para construirem a história.

Queria ser ele um uma rocha em meio ao mar de mediocridade em que vivia. Acreditava que vivia em eterno retorno, indo e vindo eternamente, até que em algum momento quebraria o ciclo de mediocridade que se sustentava, a cada repetição das mesmas cenas de uma vida que, em angústia por sua insignificância, clamava atrozmente pela martelada, pela disrupção, pela reinvenção, pelo novo, pelo belo e pelo sublime.

O russo que se exploda, meu dois mais dois ainda hão de ser cinco, deixarei de tremer diante da doença da minha rotina, diante da moléstia do ser e do meu “voltar-a-ser”. Que o diabo me carregue por todos os círculos do inferno, se necessário. Hei de me purgar de mim, de meu mundo, de tudo que sou, para enfim me refazer, me reconstruir outrem, alguém melhor, alguém forte, para que o homem de sombras, que toda noite me pune com o martelo, quebrando todos os ossos do meu corpo, um por um, não seja mais meu algoz, minha nêmesis, mas sim, que me liberte da mediocridade de minha eterna repetição.

O sol caía e consigo trazia ao fim seu martírio, havia completado mais um dia em vão, mais um passo para o assassinato de sua vida, menos uma linha que garantira para si nos futuros livros de história. Frustrava-se, irritava-se, retorcia-se com o vigor e o poder de mil sóis, mas a escuridão de sua cegueira nem com tanta luz era obliterada. Perdia tempo, perdia vida.

Depois de ir, voltar. Depois de se banhar, se secar. Depois de inspirar, expirar. Nada tem por si só um peso particular, porém, no seu oásis de consciência, finitude e solidão, as areias do tempo eram o solo perfeito para que a vida, em pleno desabrochar sussurrasse em seus ouvidos: “Todo inicio tem um final”.

Essas palavras o perpassavam pela espinha, enquanto ressoavam profundamente em sua alma. Sabia que era inútil lutar. O tempo é mestre de todas as ações. Despejar sua ânsia e sua fúria diante de sua própria finitude nada mudava em relação ao fato de que seu fim, ocorreria à despeito de sua revolta. Da mesma forma, a apatia nada mais fazia para si do que congelar sua psique em uma câmara hermética, onde estaria alheia a putrefação de seu corpo e à inexorável e linear caminhar dos tempos.

E se os propósitos fossem efervescentes? E se sua transitoriedade e sua banalidade não tivessem sentido? E se os dias perdidos em seu trabalho não fossem uma preparação para aquele momento singular onde se atinge a elevação do espírito e da alma humana?

Tudo que me aflige não passa de uma partícula na sopa temporal da existência. Sou inexpressivo. Infeliz. Certamente impotente, frívolo e fútil. Nada mais importa, nada nunca sequer importou. Estou enlouquecendo em meio a o vazio de sentido que os enunciados e as relações da minha vida constroem.

Será que ao fim realmente nossos ontem serviram apenas para iluminar aos tolos o caminho em pó da morte? Será mesmo que as linhas e narrativas não tem mais significado e que não servimos para ser mais do que um exemplo do triste final que nos aguarda no apagar das velas?

Serei eu o próximo idiota que cheio de som e fúria é solenemente ignorado pelo andar dos tempos?

Não posso. Não serei. Me recuso. Espera aí, onde estou? que barulho é esse? Alguém vem vindo em minha direção. Não posso me mexer!

Nesse momento, uma figura pálida tomava forma em meio a escuridão completa da sala onde estava. Repentinamente percebeu que todo seu monólogo fora em uma sala tomada pela escuridão e que apenas agora seu corpo encontrava a necessidade de mover-se.

Com puxar de um fio e um click, uma lâmpada lançou um raio de luz na cabeça desse estranho homem. Tinha um bigode cerrado e uma fisionomia ameaçadora que juntamente com o reluzente martelo preto em sua mão e seu avental branco preparavam para golpear nosso herói. Ele sussurra:

– Guerra é paz.

Nosso herói estava preso à uma maca que estava inclinada para deixá-lo quase que em pé. Estava preso nas pernas, nos braços e na cabeça por amarras que impediam que tivesse qualquer tipo de defesa, nada podia fazer além de sentir o medo que se apoderava de sua mente e que fazia seu corpo tremer violentamente.

O homem de branco se prepara e logo em seguida murmura:

– Primeiro a perna esquerda, sempre começo pela canela.

 

Cenários, prisões e comidas

Cenários são são também minhas prisões psíquicas, são também as projeções na parede da minha caverna.

Cenários são coisas que não amo, mas àquelas que embriagam-me, com seus contornos, propícios para o espetáculo.

O capitalismo por si só, talvez seja o conceito que represente hoje o maior cenário. Ou que absorve os diversos palcos. Os entendidos e os especialistas que não me levem à mal, mas que belo cenário para a construção de narrativas épicas. Que ótimo lugar para os loucos transfigurarem as mais intensas tragédias e epopeias. Que gênio aquele que disse que empreender muda o mundo, oque raramente faz-se para todos porém, é o espetáculo que mais intensamente eleva a vida humana, a transfiguração da busca da própria virtude.

Pobres enlouquecem com a sorte de enriquecer

Choram com o azar de perdê-la

Ricos destroem sua condição, seus egos os consomem

Passam fome

E com a mesma sorte que agora falta ao pobre, talvez volte a sua condição

Winston Churchill disse que certa vez,tradução minha:

O vicio hereditário do capitalismo é a divisão desigual das bençãos; A virtude hereditária do socialismo é a divisão igualitária das misérias.

Errou.

As projeções que observamos hoje, entregam à toda sorte de individuo, a possibilidade de enlouquecer sobre seu próprio império e seus fardos. Essas, por suas vez, não são totalmente nossas, mas assim pensamos em geral.

Temos  a possibilidade de destruir à nossa própria maneira, no grau que nos é conveniente, nossos próprios esconderijos. As indústrias nada mais fazem além nos prover os mais variados motivos para tanto, somos pobres, burros, chatos, estranhos, tristes e normais demais. Não somos especiais, e por não sermos, nos resta enlouquecer e nesse mundo, onde tudo é econômico, recriar as mais intensas e trágicas narrativas para reencontrar-nos com a próxima mentira, com aquela em quando chegar, fará com que tudo seja diferente.

Que vocês não venham me enlouquecer adjetivando-me levianamente de salgados ou até mesmo de miojo, pois desses dois estou farto. Adoro-os, e os comerei tanto quanto for possível, sem jamais me tornar nenhum deles. Sou ao fim humano e assim morrerei, independentemente do que comi, ideologia para mim, não tem espinhas e posso devora-las sem me engasgar com elas.

Não é minha culpa, tampouco minha responsabilidade, redescobrir ou reorganizar o teatro da vida e os diversos atos da existência. Cabe a mim, apenas o papel de fazer parte do espetáculo, vivê-lo, assisti-lo como o malogrado e infeliz participante que, assim como todos vocês sou. Não fui eu que disse que agora, depois de elevar-nos por virtude na Grécia antiga, por Deus na idade média e por liberdade no Renascimento, deveríamos viver, criar e morrer pelo dinheiro que compra as melhores câmeras para retratar o cinismo de nossa “felicidade”, onde cada segundo sorrindo nos custa, dias suando.

Não me entendam mal, não sou rancoroso, nem mesmo contra nada disso, apenas gosto de observar a tragédia através do componente lírico e poético. Mas admito que adoraria ser apenas o observador desse grande espetáculo. Nunca fui daqueles de valorizar as coisas pela dor que necessito para te-las, só não sou daqueles que ama a própria servidão.Não quero acabar enforcado dentro do farol por não suportar a loucura do mundo, apenas sonho com o prazer de vê-la da poltrona do teatro.

Se pudesse conhecer as outras projeções que habitam as paredes das cavernas de universos paralelos, o faria, pois assim escolheria aquela que mais me poupasse e que me oferecesse o melhor dos espetáculos.

Já diria Bulgakov que um tijolo não cai na cabeça por acaso. Não por isso, preciso implorar para que me acertem logo, posso viver com a expectativa da chegada de minha vez.

Câmbio e desligo.

 

Sobre a pressão dos fluidos

Talvez seja o inverno, talvez o próprio inferno

Talvez seja tudo uma grande brincadeira, talvez não

Talvez eu apenas esteja louco?

Talvez são.

Talvez toda a pressão, toda a dor, toda a ansiedade façam eu deixar as linhas escorrerem entre as palavras que deveriam se encontrar coesas nesse pequeno parágrafo.

Talvez as a pressão dos fluidos internos faça com que os líquidos escorram para fora de mim como uma forma de alívio ou de desabafo,

talvez…

Só talvez isso tudo seja uma maneira não de me fazer chorar, mas de me fazer sentir

Provar o gosto das azedas cinzas do inferno

Para que o lacrimejar do tolo faça com que os líquidos fluam dentro de si, para fora

E o aqueçam nesse rigoroso inverno.